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terça-feira, 19 de abril de 2011

Notícias...

   Estive por um tempinho afastado do Blog por conta de mudanças e correria do dia-a-dia, mas agora espero voltar a toda postando novos capítulos e muitas novidades sobre esses personagens incríveis e corajosos. Mas acima de tudo são seres passionais como você e eu.
   Fiz uma pequena montagem para divulgar o Blog, espero que gostem:
Uma outra visão da capa:



quarta-feira, 26 de maio de 2010

ToDos PoR uM MunDo InCríVeL


Olá...
Hoje estava acompanhando os blogs que apoio e divulgo no meu, tive a grata surpresa e alegria de ter meu blog divulgado pelo "O Livro Negro do Terror" Revista  On-line ( http://livronegrodoterror.blogspot.com) Publicado pela autora Andreia D. Bilenkij ...
Agradeço! Todos juntos por um mundo incrível

terça-feira, 18 de maio de 2010

Capítulo I , Part 03

A viagem havia sido um pouco desgastante para eles, principalmente para Carlos e Karen, a promessa de um pouco de diversão proposta por Corey começava a dar um novo gás aos dois. Já na floresta, caminham atentos a cada detalhe do que era lhes revelado, a poucos instantes Corey comentara a decisão de fazerem o percurso a pé - não há como entrar com cavalo ou qualquer veículo naquela mata, o terreno é acidentado, cheio de buracos e pequenos barrancos ali no início- agora comprovam. A princípio quando adentram na mata sopra um vento de intensidade média, dá para ouvir o som das folhas se ricocheteando no ar e se arrastando pelo chão, o mesmo é recoberto inteiramente por uma gramínea rasteira em certas partes e irregular em outras, também há arbustos e alguns troncos secos tombados e a claridade vem do alto das copas das árvores grandes. Karen é só curiosidade, aquele ambiente desperta certa admiração ao compasso que alguns sons também lhe causam calafrios, as coisas que via, nunca esteve em lugar semelhante.


Caminham um bocado até chegarem à proximidade de um grande tronco caído e Karen decide fazer uma breve pausa para recuperar o fôlego, todos agora parados e com o breve silêncio ouvem ruídos de folhas secas sendo pisoteadas, sem alarmar trocam olhares entre si buscando respostas. O som vai aumentando de intensidade à medida que o seu causador se aproxima, um arrepio toma-a por inteira.
- Corey? Que barulho é esse?
- Não tenho certeza... Pode ser um lobo, uma onça...
- Ah! Tá, obrigada pela informação!
- Ou pode ser outro animal qualquer faminto se espreitando na mata... Esperando por uma distração nossa e... - ironiza Carlos.
- Se for mesmo, você será o primeiro a virar a refeição por falar muito viu!- brincadeiras a parte Carlos visivelmente se mostra apreensivo.
- Não sejam bobos! Não é nada de terrível- Corey demonstra-se seguro o que deixa Karen mais tranqüila.
Com os nervos tranqüilizados a descontração é geral e não conseguindo mais se conterem riem da situação. Uma breve pausa e o silêncio é quebrado novamente pelo estralo de um graveto vindo de uma árvore logo a frente, não há reação desigual, os três pulam para trás do primeiro tronco que encontram pela frente e se colocam a vigiar a mata. Não demora e eis que surge um filhote de porco-do-mato grunhindo, daí sim passam do susto para gargalhadas entusiasmadas. Mas um cheiro desagradável empreguina o ar, o que chama a atenção de Karen e ao olhar para trás não contem o pavor.
- AAAAAA!- a poucos metros deles uma carcaça inteiramente mutilada, como se tivesse sido cortada por várias lâminas ao mesmo tempo, os vermes brotam por toda a carne e o mau cheiro passa a ser nauseador, mais que de pressa eles saem de perto daquele local tampando as narinas e a boca.


- Calma Karen! O que é isso gahh?- Carlos tenta aclamar a irmã ajudando-a a sentar-se em outro tronco bem mais a frente.
- Acho que era a mãe do porquinho... - responde Corey.
- Que cheiro, meu Deus! O que pode ter matado aquele animal Corey?- Carlos senta-se ao lado da irmã.
- Não sei ao certo... - Corey senta no chão. - Isso foi realmente desagradável!
- Não foi culpa sua Corey!- Ameniza Karen, ela passa a mão na garganta e engole a seco suas palavras. - Acho que estou com sede!
- Então vamos continuar. Logo chegaremos aonde quero levar vocês.
- Mas Corey! Você não acha perigoso andarmos com esse bicho por aí?
- Não Carlos, não tem perigo. Por essas redondezas tem muita gente, bicho aqui age só de noite, estou acostumado pode confiar em mim!
Karen e Carlos trocam olhares e apenas concordam com a cabeça, levantando prosseguem o caminho indicado por Corey, pelo percurso não comentam o ocorrido, apenas redobram ainda mais atenção com tudo a sua volta. Logo caminham por uma trilha, dedutivamente aberta por alguma pessoa, mais à frente ela se divide em três e Karen busca respostas direto nos olhos de Corey.
- E agora, por onde?
- Se eu não me engano... - reflete por um instante - É seguindo em frente!
- Como assim?
- Calma pessoal! É brincadeira, é esse mesmo. – Indica com a cabeça a direção a sua frente.
– Bom! Assim espero. – resmunga Karen. - E onde vão dar essas outras trilhas?


- Essa aqui - indica com a mão a da direita, é mais aberta e muito parecida com a que seguirão - termina em uma tribo indígena a quatro quilômetros mais ou menos daqui. Já essa outra - repete o gesto apontando para a da esquerda, essa faz uma inclinação de noventa graus onde a luz penetra com maior dificuldade, os arbustos e a grama possuem um aspecto seco e retorcido - acaba num lugar chamado “Ivokóvoti”...
- Hã? - Interrompe Carlos.
- Quer dizer “Morto” em aruak, a língua Terena! Este nome foi dado pelos antigos índios dessa terra, conta a lenda que quem ousa caçar neste lugar ao anoitecer... Jamais retorna, também dizem que lá existe uma caverna onde é morada das almas perdidas.
- Que tal explorarmos Karen?
- Lamento Carlos, mas ninguém pode ir até lá! - Diz Corey fechando o semblante -. É um lugar amaldiçoado, de muito sofrimento.
- Mas nós só iríamos entrar na floresta!
- Carlos! Se ele disse que é perigoso...
- É só uma lenda! Mas nós a respeitamos. Além disso, pode ter onça ou lobos por lá.
- Pronto! Não se fala mais nisso e vamos em frente logo. - Ordena Karen sendo imediatamente atendida, eles continuam pelo caminho indicado.
- Eu protejo você Karen! – Diz Corey serrando os lábios.
- Eu sei...
Karen sorri e seus olhos brilham como os de uma criança ao ponto que tudo acontece conforme seu desejo, numa esfera aparentemente romântica. O clima de paquera deixa-a boba e claramente tudo o que acontece não passa despercebido aos olhares críticos de Carlos, mas seu humor é ainda mais incontestável.
- Ô! E quem vai me proteger? - gestos de gozação e molecagem, ele agarra-se no pescoço de Corey -. Você me protege?
- Ham? - a princípio ele estranha a brincadeira, mas logo entra no clima -. Claro!
- Ei... Gente! A garotinha aqui sou eu.
- Então tente nos alcançar querida... - Os dois saem em disparada pela trilha, Karen corre também, mal consegue persegui-los de tanto rir.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Capítulo I , Part 02




Enquanto observa a área eis que surge ao longe um rapaz que vem à galope e seu destino parece ser a porteira, ele aparenta não ter mais que 18 anos, usa uma camisa branca com o peito desnudo, na cabeça um chapéu preto com fivelas prateadas que reluzem sob o sol, cabelos longos e pretos flutuando ao vento. Aquele corpo moreno metido em um jeans agora os espera com a porteira aberta, eles passam direto, as mulheres do carro acenam em agradecimento. Ainda segurando a porteira o rapaz sorri timidamente, Karen o observa com olhos de águia e acaba por confidenciar a si mesma, em pensamento, que ele poderia ser algum desses modelos saído de uma revista, dessas que ela de vez em quando dá uma olhadinha, 1,80 metro de altura de pura perdição, um rapaz mestiço de olhos cor de mel.
Carlos resmunga alguma coisa, provavelmente porque sua irmã sobe insistentemente em cima dele para ver melhor a paisagem. Nem notam que também vem a seu encontro um jipe com um casal, da mesma propriedade que o rapaz. Prosseguem para a casa, Karen ainda o vê montar em seu cavalo e vir atrás do carro, Max estaciona na sombra da árvore e todos descem aliviados.
- Poxa querida! Até que em fim chegamos- Max enxuga o suor que lhe escorre sobre a testa.
- Ainda bem amor... E vem chegando também um comitê de boas vindas- ela remexe em sua bolsa procurando uma escova-de-cabelo e quando a encontra põe-se a escovar os cabelos sob seu olhar atento refletido no espelho do carro, no mesmo vê a imagem do jipe parar, o casal saltar do carro e vir ao seu encontro. A bela mulher é uma mestiça indígena, a recepção é a de sempre, muitos apertos de mãos, sorrisos e dois beijinhos entre as mulheres.
-Sejam bem vindo, meu nome é Phill Rolly- tão engraçado quanto seu sotaque carregado é a sua aparência, um homem baixo de modos grosseiros e bigode ralo. Usa um boné já um pouco surrado com emblema do time de basquete americano Chicago Bulls, Max o cumprimenta com uma leve risadinha amarela, como todo bom americano ele é fanático por esse esporte e torce por um time de Nova Orleans.- Aquela é Annie- ela está próxima de Karen e ao lado de Sônia, sua expressão facial é receptiva com um leve tom de desconfiança, afinal os Reards são estranho na localidade, mas nada ameaçadores- e o cawboy lá é meu filho Corey!- Corey, então esse é o nome daquela divindade, pensa Karen.
- Seja bem vinda querida, sou Annie Macnn Rolly!- seu sotaque é menos perceptível.
- Obrigada! Sônia Veiga Reards.





- Oi Phill, eu sou Max Reards!
Corey amarra seu cavalo ao tronco de um arvoredo enquanto espia Karen por entre a aba de seu chapéu, seu rosto parece querer sorrir, mas por algum motivo se contem, talvez seja tímido. Karen escorada no carro apenas observa a todos, Carlos ao seu lado pouco se interessa pelos visitantes, Max os aponta enquanto diz seus nomes, junto a Phill se aproxima deles.
- Carlos!- prossegue todo entusiasmado com a prole. - Essa princesinha é Karen e minha esposa Sônia. - Após um breve instante ele deixa escapar uma risadinha meio que irônica e indaga Phill. - É... Pelo seu sotaque de que parte dos Estados Unidos você é? Do norte?
- Ora! Sim, sou de Chicago Illinois...
- Bem que desconfiei! Esse seu boné.
- Você gosta de basquete?
- Se gosto? Eu adoro sou de Nova Orleans, Louisiana!
- Não brinca, você tem uma conterrânea aqui.
- Quem?
- Eu Max_ responde Annie. - Também sou de lá.
- Cara muito legal.
- Que bom Max, agora saberemos Phill qual a melhor cidade pra se viver, Nova Orleans ou Chicago. - Completa Annie.
- É... Lógico que é Chicago! Mas me fala uma coisa, você nasceu na América e veio pro Brasil? Porque você não fala com sotaque!
- Bom, é uma longa história, mas resumindo, nasci e morei na América vim pro Brasil e montei uma corretora imobiliária e falar bem o português é melhor para os negócios. Meus clientes são muitos tradicionais.
- Entendo...
O clima de recepção é o mais cordial possível, os Rollys aparentam serem pessoas simples e de boa índole. Terminando de prender seu cavalo Corey segue em direção de Carlos e Karen, no caminho ele é apresentado pelo pai, quase nunca desvia os olhos de Karen. Ela por sua vez também não desvia os seus do rapaz e como se fosse uma garotinha de colegial começa a sentir um friozinho na barriga, uma palpitação desregular do coração, sua respiração é mais pesada, profunda e ofegante, suas pupilas se dilatam. Carlos ao perceber o desconcerto da irmã a abraça forte.
- Relaxa maninha!
- Eu estou relaxada... - seu sorrisinho forçado não a camufla.
- Oi!- Corey estende a mão cumprimentando primeiramente Carlos -. Tudo bom?
- Opa! Tudo bom! Acho que o calor está afetando minha irmã_ ainda segurando a mão de Carlos, Corey fita os olhos de Karen, gentilmente passa a segurar a mão dela se mostrando preocupado.
- O que está sentindo?
- Acho que é o calor mesmo!- Aos poucos ela se recompõe -. Lá em Curitiba não é tão quente.
- Realmente tenho que concordar com você, Aquidauana é muito quente!
- Vocês têm um belo pasto Corey. Sem falar nas ovelhas!
- Obrigado! Vocês também têm um belo campo!- Karen nem consegue prestar atenção na conversa dos dois, só tem olhos para aquele mestiço.
- Não é lindo mesmo Karen?- ela olha para a cara do Carlos com um ar de que ouviu, mas não entendeu a pergunta _. Não é lindo mesmo?- Repete.
- Hã! Sim. Lindo e forte... - Corey sorri envaidecido e tímido ao mesmo instante.
- Eu falava da chácara!- Ironiza Carlos.
- Eu também. - Suspira disfarçadamente.
Karen com seu constrangimento divertia Carlos, mas o sentimento de irmão fala mais alto o que o leva a se solidarizar.
- Annie?
- Sim Sônia!
- Eu estive observando, o pasto de vocês. E aqui vocês só criam ovelhas?
- Não imagina! Nós temos também alguns cavalos, porcos, vacas, enfim outros animais, mas só para o nosso sustento...
- Muito prático não?
- Sim. E como, você não imagina como está caro comprar as coisas no supermercado...
- Eu imagino sim, sou eu quem faz as compras lá em casa!- sorriem as duas.
- Olha! Se vocês quiserem, eu conheço um lugar gostoso para tomar banho!- sugere Corey.




O convite era tentador, não fosse pelas tralhas que os Reards tinham que descarregar do carro e arrumar na casa. Uma ótima oportunidade de se conhecerem melhor, com um olhar menos puritano Karen até imaginava aquele corpinho todo molhado. Carlos e ela estavam com roupas de banho por baixo da usual, afinal estavam no Pantanal e esperavam encontrar uma baía que fosse para molhar os pés, certamente água é que não faltava naquele paraíso.
- Mãe! Podemos?- Karen faz um pouco de manha para ver se a convence, sabia que eles não deixariam, não por severidade ou receio do lugar era mais por causa da bendita tralha.
- Não sei não querida. Pergunta para o seu pai!
- Papai?_ A expressão em seu rosto é de um sonoro “Não”, tímido, mas com certeza um “Não”.
- Você viu como o carro está cheio?- essa era uma das qualidades que Karen admirava em seu pai, ele nunca pronunciava um “Não” a queima roupa -. Creio que hoje está meio difícil desse banho sair!
- Que isso Max!- interviu Annie -. Vamos te ajudar enquanto as crianças se divertem um pouco. Não é Phill?
- Como?- um pouco surpreso ele a olha de relance, mas concorda -.Ah sim! Claro... Assim as crianças podem se conhecer melhor. O Corey pode mostrar para vocês uns lugares que nem eu conheço. - Resmunga baixinho esta última frase.
- Mas não é perigoso?
- Não Sônia, Corey conhece bem essa floresta.
- Então podem ir, mas não vão muito longe!
- Ok pai...
- Escutem seu pai- Phill sorri sarcasticamente querendo assustar-lhes - quando cai à noite nesta floresta, ela fica cheia de lobos e índios caçadores de cabeças...!
- Credo!- Karen se segura para não rir do comentário, sabia que no Brasil não existe tais tribos.
- Pai! Não minta tanto!- Corey ri das besteiras que seu pai disse. Max apenas ouve tudo calado com um ar sério.
- Melhor irem logo se vão mesmo!
- Tá bom mãe, tchau!
- Tchau filha, se cuidem heim!
- Pode deixar comigo que eu tomo conta deles senhor Reards. - Os adolescentes já estavam um pouco longe da cabana quando Max sussurra para Sônia:
- Espero que eles não virem a caça!
- Max!- repreende Sônia num tom de gozação.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Capítulo I , Part 01

Verão de 2003. É uma sexta-feira qualquer do mês de janeiro, Karen e sua família acabam de chegar a Aquidauana no Mato Grosso do Sul, uma cidade do tipo interiorana, de economia predominantemente pecuária. Como na maioria das cidades desse estado o povo é pacato e a vida parece seguir outro ritmo, mas o que realmente chama a atenção e seduz os visitantes por essas bandas são as belezas naturais do Cerrado e do Pantanal.
No horizonte o sol arde entre as nuvens, na cidade há pouco movimento, ainda é muito cedo e o clima já esta abafado. Eles param em uma padaria lá pelo centro mesmo para tomarem o café, afinal já estão a um bom tempo na estrada. Max estaciona o carro em uma das ruas principais próximo a uma linha de trem, do outro lado da rua existe uma espécie de centro comercial, esse lugar comercializa artigos importados.
Depois do café saem a pé pela Rua 7 de Setembro até um supermercado grande. Não é difícil caminhar pelo centro, a cidade possui seu traçado em xadrez, sendo as principais de acesso aos bairros as ruas Estevão, Pandiá Calógeras e a Duque de Caxias, as paralelas 7 de Setembro, Pães de Barros e a Marechal Mallet.
Mas não pense que os Reards estão por acaso na cidade ou simplesmente foram a uma agência de turismo e pediram algum roteiro em especial. Sônia tinha uma ligação com a cidade, por mais que nunca estivera em Aquidauana sabia de sua existência através de uma prima e essa já há algum tempo vinha lhe convidando para visitá-la, agora cá estão. Bem, a prima no fim acabou viajando para a Europa, mas como Max já havia planejado toda a viagem, resolveram vir assim mesmo, além do mais Sônia fez a aquisição de uma chácara na cidade, quase que histórica, pertenceu a família Rondon, um dos fundadores.
Como qualquer turista, eles caminham bastante pelas lojinhas do centro em busca de algumas coisas para a casa, Max aproveita para ir ao banco e fazer algumas ligações, Carlos pouco interessado em fazer turismo fica em uma dessas casas de jogos eletrônicos. Karen e sua mãe visitam o museu e a praça perto da “Ponte Velha”, ambas se apaixonam pela igreja Matriz com seu estilo neogótico. Mais ou menos lá por onze e meia todos se encontram em um restaurante pré-definido no centro.
Depois do almoço e sem maiores contratempos partem em direção a área rural. Da estrada é possível avistar a casa bem ao longe, uma espécie de sobrado, a cidade já ficara a uns bons quilômetros para trás. Aproveitando a ocasião Karen retira de sua mochila um binóculos, presente do último Natal, e começa a observar melhor o lugar. A casa foi toda construída com madeira, é antiga, mas havia sido reformada, ela se situa em meio ao campo verdejante e florido, ao lado a uns 5 metros ergue-se um imenso pé de Jatobá-mirim com uma mesa de piquenique em pedra a sua sombra.
Os garotos estão em suas férias habituais, Max, dono de uma corretora imobiliária, resolveu de última hora tirar férias e Sônia não larga o seu escritório já faz um bom tempo. São uma família abastada e ocupada, nesse raro momento em que todos estão juntos poderiam viajar para qualquer parte do mundo, mas Max acabou optando por esse roteiro mais familiar, no seu ponto de vista, obviamente sob protestos de seus filhos adolescentes.


O que mais chama a atenção de Karen é a floresta que fica a uns 350 metros adiante da casa, a princípio mística, aparenta ser toda fechada com uma ou duas picadas abertas. Na propriedade ao lado ovelhas pastam soltas em meio ao campo, uma visão até certo ponto bucólica. O clima começa a melhorar, um vento suave sopra em seus rostos dando sensação de liberdade, isso misturado a cheiro de flores com campo molhado. Deslocam-se por uma estrada de cascalho cercada por ambos os lados, quando entram na estrada que os levará à entrada de sua chácara, o carro passa a trepidar menos, o caminho prossegue até um pedaço da divisa entre as propriedades com uma grande porteira no final, bem ao lado um pouco menor a porteira deles. Do lado de trás da casa, a 750 metros mais ou menos na chácara vizinha, há uma casa quase do mesmo estilo, seu diferencial está na cor, azul, no material, de alvenaria e por ser rodeada por uma cerca baixa de madeira na cor branca. Também possui um celeiro alto, mas este de madeira e bem mais ao longe começa uma cadeia de morros.
O céu começa a limpar, os primeiros feixes de raios solares rasgam as nuvens no horizonte produzindo um espetáculo à parte enquanto dois casais de araras dão seus gritos em pleno vôo. Naquela santa paz Karen começa a acostumar-se com o roteiro traçado para as suas férias, afinal está no Pantanal, e o lugar é um paraíso natural. Cores, sons, e formas se sucedem em espetáculos de beleza constante o que acaba provocando um grande impacto em suas mentes, isso os instiga a quererem conhecer mais a região, logicamente que ela tenta não deixar essas emoções transparecer tão facilmente, não quer dar o braço a torcer.

Início


Que fim de tarde frio e úmido, desde manhã cai uma fina garoa. Nem o Cristo no alto do Corcovado esperava por essa, um clima bem atípico para essa época do ano na Cidade Maravilhosa. Se bem que nos dias de hoje o que pode ser considerado normal ou atípico de alguma coisa.
No chão em meio a poças refletem-se luzes oriundas dos barracos por toda a encosta do morro, nestas ruas transitam crianças regressando das escolas, uma correria acompanhada de cantigas e expressões sorridentes, incansáveis saltando de um lado para o outro, uma pureza ainda não corrompida pelos sentimentos humanos menos nobres, que Deus mantenha essa inocência até o seu desabrochar.
Ao cair da noite, em becos semi-escuros é possível ver muitos desacreditados entregues aos vícios, alguns por não saberem, ou por não aceitarem sua realidade. Na porta de um boteco mal iluminado algumas garotas com seus trajes de ofício trazem estampados em seus rostos angelicais “prazer barato”, uma vida que de fácil não tem nada, para muitas é única maneira de mal sobreviverem num cafofo imundo num endereço qualquer.
Eis que de um dos becos surge uma figura de estereótipo juvenil, passos firmes calçados com um All Star ensopado, silhueta nos autos de seus 22 anos, no rosto pálido apenas uma expressão desoladora, sentia frio, fome e seus olhos grandes e borrados de maquiagem buscavam ao longe algo que parecia ter se perdido no tempo. Caminhava por aquele bairro perigoso sem ao menos sentir medo ou qualquer cuidado com sua segurança, tanto que nem pressentira a existência de dois rapazes, cheios de más intenções, seguindo-a desde que dobrou a esquina.
Os relatos que se seguirão, podem não ser reais para mim ou para você, mas para Karen foi tudo fato, real até a última gota de sangue derramada de seu destino.


Karen Veiga Reards sempre foi do tipo garota da cidade grande de sonhos românticos. Bem nascida, refugiou-se no mundo da leitura para suprir a ausência dos pais, estes sempre ocupados com algum grande negócio. Karen fazia mais o estilo de sua mãe, morena de cabelos lisos, corpo de formas generosas e semblantes sensuais. Do pai herdou alguns genes que a proporcionaram olhos azuis com um leve tom esverdeado, esse tom era mais evidente quando ficava irritada. Filha de Max Reards, um norte-americano radicado no Brasil desde a década de 80, de família tradicionalmente militar ele recusou-se a lutar na Guerra do Vietnã. Max era alto e grisalho apesar da pouca idade, uma característica genética de sua família, dono de uma voz firme, olhos azuis e serenos.
Sua mãe, Sônia, era brasileiríssima, uma morena pomposa do norte do Paraná, olhos meigos cor de mel, jeitosa no falar, de uma educação refinada. Quando criança, Karen adorava entrar no quarto da mãe e brincar de “mulher grande”, como ela se referia ao ato de se fazer de crescida e usar os produtos de beleza. Sempre que contava para alguém esses fatos, ela fechava os olhos e dizia que assim podia sentir o cheiro de erva doce dos produtos da mãe e isso a fazia lembrar-se dela.


O que um adolescente pensa a respeito da ausência dos pais? Carlos, irmão de Karen, nunca foi de pensar muito, ele agia, mesmo que fosse das piores formas possíveis para chamar a atenção, o que lhe renderam diversos castigos e de uma forma estranha o respeito de Karen. Sua fisionomia assemelhava-se a de seu pai, olhos também azuis, cabelos claros e estatura mais baixa. Corpo com porte atlético, conseqüência da prática de esportes radicais, tinha em mente que a adrenalina somada com o perigo do esporte substituía a carência, uma de suas formas de protesto juvenil.



Capa

LUA NEGRA




Verão de 2003, no coração do Brasil... Uma floresta, um povo antigo e uma lenda. Eis que surgem laços de amizade e muita aventura cercada de mistério. Ainda que o amor se revele em sua pureza quase ingênua, pode o destino ser mudado?




"Quando os fatos subjugam o Mito e a realidade o torna Mortífero!"

O CENÁRIO

Aquidauana é uma cidade tipicamente interiorana onde o povo é pacato e as belezas naturais do cerrado e do Pantanal seduzem os visitantes. De economia predominantemente pecuária, os fatos, diga-se de passagem fictícios ou não, ocorrem a poucos quilômetros da cidade, mas precisamente em uma floresta próxima da antiga propriedade dos Rondon.

UM POVO ANTIGO

Em seu território abriga também uma série de tribos indígenas da família lingüística Aruak, especificamente os Terenas. kohê, que siginifica Lua em aruak, dá nome a tribo. Poucos sabemos sobre a origem desse povo, mas é sabido que suas lendas e tradições contribuíram grandiosamente na formação cultural do Estado de Mato Grosso do Sul. Mais que uma lenda, uma maldição...

KAREN

Uma garota da cidade grande de sonhos românticos. Bem nascida, Karen refugiou-se no mundo do saber para suprir a ausência dos pais, estes sempre ocupado. Nesta viagem será como que um reencontro com sua família, em especial seu irmão. Sentimentos despertos e uma força interior que ela jamais poderia imaginar possuir

"Duas almas podem ocupar o mesmo corpo? "

CARLOS

O que um adolescente pensa a respeito da ausência dos pais? Carlos nunca foi de pensar muito, ele agia, mesmo que fosse das piores formas possíveis para chamar a atenção. Eis que surge a chance de um novo recomeço!


"Fica difícil compreender as coisas do amor quando se está com o coração fechado para o mundo!"

COREY

De traços marcantes e sentimentos quase que ingênuos, Corey, filho de norte-americanos, cresceu em meio a natureza na pequena cidade de Aquidauana no Mato Grosso do Sul. Quando ainda garoto aprendeu a respeitar a mata e seus mistérios com o povo da tribo Kohê, descendentes dos terenas Sukiriono (gente mansa). Quase um homem agora, experimentará o amor em toda sua plenitude e no fim terá que fazer uma escolha onde vidas estão em jogo.


"O coração jamais será aliada da razão"



Quem é...


Amor!


O mais supremo...


dos sentimentos,


Que em nossos corações...


pode causar a dor


Mas jamais...


arrependimentos.


Por que...


coisas assim?


Que não se pode...


e não se deseja explicar,


Chegando a cegar...


a aqueles


A que se deve...


e se pode confiar.


Não há igual...


ou maior


Seremos para sempre...


um coração,


Um desejo...


não mais um sonho


No olhar...


mais que uma paixão.




"Que essa história possa extrair de ti tudo de melhor e tudo de pior de sua alma"
Claudio Moura

Nasce a idéia



As lendas sobre lobisomens tiveram muito provavelmente início na França, no século XV.

Nessas épocas remotas, a Europa vivia infestada de lobos e logo começaram a surgir relatos de criaturas meio-homem meio-lobo que vagueavam nas noites de lua cheia caçando e matando vítimas, geralmente humanas.Diz a lenda que os lobisomens são aqueles que ao serem banhados pela luz da lua cheia, assumem uma forma meia humana e meio lobo. Qualquer pessoa atacada por um lobisomem irá transformar-se num e só poderá voltar ao normal se o lobisomem que a mordeu for morto.


Os grandes culpados por esta terrível fama dos lobisomens, são a Igreja Cristã e seus seguidores. Por meio das inquisições, torturas e escrituras, a igreja tem forçado, a acreditar que o Lobisomem é um ser demoníaco.A lenda atravessou os oceanos e os séculos e ainda em nosso tempo é possível ouvir relatos de sua aparição...Se deparar com uma fera dessa é certeza de morte ou no mínimo uma esperiência traumática.




Agora a fera está no paraíso do Pantanal e o destino de duas famílias será mergulhado num banho de sangue.

O Autor


Desde pequeno fui apaixonado pelas lendas e mistérios da vida. Desde que tomei gosto pela leitura e pela escrita, venho ensaiando escrever, escrevo sobre a vida, sobre pensamentos, sobre nada, sobre mim.
Me formei em Turísmo na Faculdade Federal de MAto Grosso do Sul, viajei por alguns lugares, conheci mundos e pessoas diferentes.
Demorei um bocado para escrever a minha primeira história, ela não está completamente acabada ainda, assim como as pessoas ela nunca deixou de evoluir. Espero que gostem de algumas coisas que postar aqui, pois sei que nem tudo será do agrado de todos, nem tudo que penso é comum aos outros, mas para aqueles que tomarem para sí o que escrever, tomem com a alma limpa e o coração aberto, assim se tornará mais fácil assimilar as idéias alheias. Grande abraços a todos.