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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Capítulo I , Part 02




Enquanto observa a área eis que surge ao longe um rapaz que vem à galope e seu destino parece ser a porteira, ele aparenta não ter mais que 18 anos, usa uma camisa branca com o peito desnudo, na cabeça um chapéu preto com fivelas prateadas que reluzem sob o sol, cabelos longos e pretos flutuando ao vento. Aquele corpo moreno metido em um jeans agora os espera com a porteira aberta, eles passam direto, as mulheres do carro acenam em agradecimento. Ainda segurando a porteira o rapaz sorri timidamente, Karen o observa com olhos de águia e acaba por confidenciar a si mesma, em pensamento, que ele poderia ser algum desses modelos saído de uma revista, dessas que ela de vez em quando dá uma olhadinha, 1,80 metro de altura de pura perdição, um rapaz mestiço de olhos cor de mel.
Carlos resmunga alguma coisa, provavelmente porque sua irmã sobe insistentemente em cima dele para ver melhor a paisagem. Nem notam que também vem a seu encontro um jipe com um casal, da mesma propriedade que o rapaz. Prosseguem para a casa, Karen ainda o vê montar em seu cavalo e vir atrás do carro, Max estaciona na sombra da árvore e todos descem aliviados.
- Poxa querida! Até que em fim chegamos- Max enxuga o suor que lhe escorre sobre a testa.
- Ainda bem amor... E vem chegando também um comitê de boas vindas- ela remexe em sua bolsa procurando uma escova-de-cabelo e quando a encontra põe-se a escovar os cabelos sob seu olhar atento refletido no espelho do carro, no mesmo vê a imagem do jipe parar, o casal saltar do carro e vir ao seu encontro. A bela mulher é uma mestiça indígena, a recepção é a de sempre, muitos apertos de mãos, sorrisos e dois beijinhos entre as mulheres.
-Sejam bem vindo, meu nome é Phill Rolly- tão engraçado quanto seu sotaque carregado é a sua aparência, um homem baixo de modos grosseiros e bigode ralo. Usa um boné já um pouco surrado com emblema do time de basquete americano Chicago Bulls, Max o cumprimenta com uma leve risadinha amarela, como todo bom americano ele é fanático por esse esporte e torce por um time de Nova Orleans.- Aquela é Annie- ela está próxima de Karen e ao lado de Sônia, sua expressão facial é receptiva com um leve tom de desconfiança, afinal os Reards são estranho na localidade, mas nada ameaçadores- e o cawboy lá é meu filho Corey!- Corey, então esse é o nome daquela divindade, pensa Karen.
- Seja bem vinda querida, sou Annie Macnn Rolly!- seu sotaque é menos perceptível.
- Obrigada! Sônia Veiga Reards.





- Oi Phill, eu sou Max Reards!
Corey amarra seu cavalo ao tronco de um arvoredo enquanto espia Karen por entre a aba de seu chapéu, seu rosto parece querer sorrir, mas por algum motivo se contem, talvez seja tímido. Karen escorada no carro apenas observa a todos, Carlos ao seu lado pouco se interessa pelos visitantes, Max os aponta enquanto diz seus nomes, junto a Phill se aproxima deles.
- Carlos!- prossegue todo entusiasmado com a prole. - Essa princesinha é Karen e minha esposa Sônia. - Após um breve instante ele deixa escapar uma risadinha meio que irônica e indaga Phill. - É... Pelo seu sotaque de que parte dos Estados Unidos você é? Do norte?
- Ora! Sim, sou de Chicago Illinois...
- Bem que desconfiei! Esse seu boné.
- Você gosta de basquete?
- Se gosto? Eu adoro sou de Nova Orleans, Louisiana!
- Não brinca, você tem uma conterrânea aqui.
- Quem?
- Eu Max_ responde Annie. - Também sou de lá.
- Cara muito legal.
- Que bom Max, agora saberemos Phill qual a melhor cidade pra se viver, Nova Orleans ou Chicago. - Completa Annie.
- É... Lógico que é Chicago! Mas me fala uma coisa, você nasceu na América e veio pro Brasil? Porque você não fala com sotaque!
- Bom, é uma longa história, mas resumindo, nasci e morei na América vim pro Brasil e montei uma corretora imobiliária e falar bem o português é melhor para os negócios. Meus clientes são muitos tradicionais.
- Entendo...
O clima de recepção é o mais cordial possível, os Rollys aparentam serem pessoas simples e de boa índole. Terminando de prender seu cavalo Corey segue em direção de Carlos e Karen, no caminho ele é apresentado pelo pai, quase nunca desvia os olhos de Karen. Ela por sua vez também não desvia os seus do rapaz e como se fosse uma garotinha de colegial começa a sentir um friozinho na barriga, uma palpitação desregular do coração, sua respiração é mais pesada, profunda e ofegante, suas pupilas se dilatam. Carlos ao perceber o desconcerto da irmã a abraça forte.
- Relaxa maninha!
- Eu estou relaxada... - seu sorrisinho forçado não a camufla.
- Oi!- Corey estende a mão cumprimentando primeiramente Carlos -. Tudo bom?
- Opa! Tudo bom! Acho que o calor está afetando minha irmã_ ainda segurando a mão de Carlos, Corey fita os olhos de Karen, gentilmente passa a segurar a mão dela se mostrando preocupado.
- O que está sentindo?
- Acho que é o calor mesmo!- Aos poucos ela se recompõe -. Lá em Curitiba não é tão quente.
- Realmente tenho que concordar com você, Aquidauana é muito quente!
- Vocês têm um belo pasto Corey. Sem falar nas ovelhas!
- Obrigado! Vocês também têm um belo campo!- Karen nem consegue prestar atenção na conversa dos dois, só tem olhos para aquele mestiço.
- Não é lindo mesmo Karen?- ela olha para a cara do Carlos com um ar de que ouviu, mas não entendeu a pergunta _. Não é lindo mesmo?- Repete.
- Hã! Sim. Lindo e forte... - Corey sorri envaidecido e tímido ao mesmo instante.
- Eu falava da chácara!- Ironiza Carlos.
- Eu também. - Suspira disfarçadamente.
Karen com seu constrangimento divertia Carlos, mas o sentimento de irmão fala mais alto o que o leva a se solidarizar.
- Annie?
- Sim Sônia!
- Eu estive observando, o pasto de vocês. E aqui vocês só criam ovelhas?
- Não imagina! Nós temos também alguns cavalos, porcos, vacas, enfim outros animais, mas só para o nosso sustento...
- Muito prático não?
- Sim. E como, você não imagina como está caro comprar as coisas no supermercado...
- Eu imagino sim, sou eu quem faz as compras lá em casa!- sorriem as duas.
- Olha! Se vocês quiserem, eu conheço um lugar gostoso para tomar banho!- sugere Corey.




O convite era tentador, não fosse pelas tralhas que os Reards tinham que descarregar do carro e arrumar na casa. Uma ótima oportunidade de se conhecerem melhor, com um olhar menos puritano Karen até imaginava aquele corpinho todo molhado. Carlos e ela estavam com roupas de banho por baixo da usual, afinal estavam no Pantanal e esperavam encontrar uma baía que fosse para molhar os pés, certamente água é que não faltava naquele paraíso.
- Mãe! Podemos?- Karen faz um pouco de manha para ver se a convence, sabia que eles não deixariam, não por severidade ou receio do lugar era mais por causa da bendita tralha.
- Não sei não querida. Pergunta para o seu pai!
- Papai?_ A expressão em seu rosto é de um sonoro “Não”, tímido, mas com certeza um “Não”.
- Você viu como o carro está cheio?- essa era uma das qualidades que Karen admirava em seu pai, ele nunca pronunciava um “Não” a queima roupa -. Creio que hoje está meio difícil desse banho sair!
- Que isso Max!- interviu Annie -. Vamos te ajudar enquanto as crianças se divertem um pouco. Não é Phill?
- Como?- um pouco surpreso ele a olha de relance, mas concorda -.Ah sim! Claro... Assim as crianças podem se conhecer melhor. O Corey pode mostrar para vocês uns lugares que nem eu conheço. - Resmunga baixinho esta última frase.
- Mas não é perigoso?
- Não Sônia, Corey conhece bem essa floresta.
- Então podem ir, mas não vão muito longe!
- Ok pai...
- Escutem seu pai- Phill sorri sarcasticamente querendo assustar-lhes - quando cai à noite nesta floresta, ela fica cheia de lobos e índios caçadores de cabeças...!
- Credo!- Karen se segura para não rir do comentário, sabia que no Brasil não existe tais tribos.
- Pai! Não minta tanto!- Corey ri das besteiras que seu pai disse. Max apenas ouve tudo calado com um ar sério.
- Melhor irem logo se vão mesmo!
- Tá bom mãe, tchau!
- Tchau filha, se cuidem heim!
- Pode deixar comigo que eu tomo conta deles senhor Reards. - Os adolescentes já estavam um pouco longe da cabana quando Max sussurra para Sônia:
- Espero que eles não virem a caça!
- Max!- repreende Sônia num tom de gozação.

Um comentário:

  1. Eaê parceiro. Bom, ta massa, tou ficando curioso pr conhecer o resto. Mas aí, Por que ao invés de usar underline(_) nos diálogos vc não usa o travessão (-)? É só se basear em diálogos de escritores profissionais, ajuda bastante nos nossos textos.
    Carlos vai ser coadjuvante sempre? O cara quase num aparece, simpatizei com o moleke. rsrs.
    Ow, leia os textos do meu blog tbm, vai sair um novinho até amanhã.
    Um abrass.

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